Em nova carta, governadores destacam que há divergências na reforma da Previdência
07/06/2019 11:46 em Notícias do Brasil

O governador Wellington Dias (PT) e mais oito governadores do Nordeste, divulgaram na noite desta quinta-feira (6) uma nova carta em que defendem a manutenção dos Estados na Reforma da Previdência. No documento direcionado ao presidente da República, os governadores reconhecem a necessidade de reformas (previdência, tributária e política), mas destacam que há divergências em pontos específicos a serem revistos. Veja a carta no final da matéria!

A carta foi intitulada "Há um só Brasil que é de todos os brasileiros". No texto, os gestores destacam que “há divergências em pontos específicos a serem revistos, como nos casos do Benefício de Prestação Continuada e da aposentadoria dos trabalhadores rurais que, especialmente no Nordeste, precisam de maior atenção e proteção do setor público”.Para os governadores, “também são pontos controversos na reforma ora em pauta a desconstitucionalização da previdência, que acarretará em muitas incertezas para o trabalhador, e o sistema de capitalização, cuja experiência em outros países não é exitosa. Além de outras alterações que, ao contrário de sanear o déficit previdenciário, aumentam as despesas futuras não previstas atuarialmente”.

A carta é assinada pelos governadores de Alagoas, Renan Filho (MDB), da Bahia, Rui Costa (PT), Ceará, Camilo Santana (PT), do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), da Paraíba, João Azevêdo (PSB), de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), do Piauí, Wellington Dias (PT), do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD).

Na carta os governadores também criticam a polarização política exacerbada e dizem que “as energias devem ser canalizadas para o escrutínio das divergências e o aperfeiçoamento das ações, de modo que todos sejam beneficiados, evitando-se a armadilha do divisionismo que tem acirrado os ânimos e paralisado a nação”, conforme trecho da carta.

O governador Wellington Dias falou da importância dessa união pelo Brasil para enfrentar a crise politica e econômica que o país passa, segundo ele apesar das divergências em alguns tópicos é preciso salientar o consenso de que a reforma é necessária e urgente. “Queremos cooperar e encontrarmos o melhor caminho para todos os brasileiros, baseados no preceito deve haver um terreno sólido para retomarmos o crescimento e enfrentarmos a crise. O diálogo se faz necessário para chegarmos a um entendimento que beneficie a todos”, disse o chefe do executivo piauiense.

 

O QUE OS GOVERNADORES QUEREM?

Apesar de reconhecerem a necessidade das reformas da Previdência, tributária, política e a revisão do pacto federativo, os governadores nordestinos argumentam que as mudanças no BPC e na aposentadoria rural, especialmente no Nordeste, necessitam de mais atenção e proteção do setor público. Eles entendem que a desconstitucionalização da Previdência acarretará "em incertezas para o trabalhador" e dizem que o sistema de capitalização não foi exitoso em outros países. "Além de outras alterações que, ao contrário de sanear o décit previdenciário, aumentam as despesas futuras não previstas atuarialmente", diz trecho da carta.

Os gestores destacam ainda que a manutenção dos Estados na proposta e a previsão de tratamentos diferenciados para outras categorias pressionais. "[...] diferenciados para outras categorias profissionais representam o abandono da questão previdenciária à própria sorte, como se o problema não fosse de todo o Brasil e de todos os brasileiros. No entanto, há consenso em outros tópicos, e acreditamos na intenção, amplamente compartilhada, de se encontrar o melhor caminho".

Por fim, eles encerram a carta dizendo que estão dispostos a cooperar, a trabalhar pelo bem e pelo progresso do país, que não aguenta mais os venenos da recessão ou do crescimento pífio.

 

VEJA A CARTA NA ÍNTEGRA:

 

CARTA DOS GOVERNADORES DO NORDESTE

6 de junho de 2019

Há um só Brasil que é de todos os brasileiros

O momento que estamos vivendo em nosso país é talvez o mais delicado destes
últimos anos de turbulência política e econômica. A recessão ameaça recrudescer, como
sinaliza a queda do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre de 2019. Em paralelo,
vemos cristalizar-se a polarização política exacerbada na eleição presidencial, o que tem
contaminado o debate sobre as reformas necessárias à garantia de um terreno sólido
para a superação definitiva da crise. É preciso agregar esforços para enfrentarmos os
dissensos e construirmos uma pauta que traga soluções para problemas que se tornam
mais urgentes a cada dia que passa.
Todos reconhecem a necessidade das reformas da previdência, tributária,
política, e também da revisão do pacto federativo. As energias devem ser canalizadas
para o escrutínio das divergências e o aperfeiçoamento das ações, de modo que todos
sejam beneficiados, evitando-se a armadilha do divisionismo que tem acirrado os
ânimos e paralisado a nação.

Há divergências em pontos específicos a serem revistos, como nos casos do
Benefício de Prestação Continuada e da aposentadoria dos trabalhadores rurais que,
especialmente no Nordeste, precisam de maior atenção e proteção do setor público.
Também são pontos controversos na reforma ora em pauta a desconstitucionalização
da previdência, que acarretará em muitas incertezas para o trabalhador, e o sistema de
capitalização, cuja experiência em outros países não é exitosa. Além de outras
alterações que, ao contrário de sanear o déficit previdenciário, aumentam as despesas
futuras não previstas atuarialmente.

Entendemos, além disso, que a retirada dos estados da reforma e tratamentos
diferenciados para outras categorias profissionais representam o abandono da questão
previdenciária à própria sorte, como se o problema não fosse de todo o Brasil e de todos
os brasileiros. No entanto, há consenso em outros tópicos, e acreditamos na intenção,
amplamente compartilhada, de se encontrar o melhor caminho.
Estamos dispostos a cooperar, a trabalhar pelo bem e pelo progresso do nosso
país, que não aguenta mais os venenos da recessão ou do crescimento pífio.


RENAN FILHO
Governador do Estado de Alagoas

RUI COSTA
Governador do Estado da Bahia

CAMILO SANTANA
Governador do Estado do Ceará

FLÁVIO DINO
Governador do Estado do Maranhão

JOÃO AZEVÊDO
Governador do Estado da Paraíba

PAULO CÂMARA
Governador do Estado de Pernambuco

WELLINGTON DIAS
Governador do Estado do Piauí

FÁTIMA BEZERRA
Governadora do Rio Grande do Norte

BELIVALDO CHAGAS
Governador do Estado de Sergipe

Fonte: Ascom

COMENTÁRIOS